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Em aperto financeiro, Richa aumenta impostos no Paraná

por ESTELITA HASS CARAZZAI DE CURITIBA / Folha de São Paulo

Reeleito no primeiro turno, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), aprovou na noite desta terça (9) um “tarifaço” que prevê aumento do IPVA e do ICMS no Estado.

É o primeiro governador eleito que aumenta impostos neste final de ano.

Serão impactados produtos como medicamentos, gasolina, material escolar, roupas, móveis e eletrodomésticos. O imposto sobre veículos irá de 2,5% para 3,5%, depois de dez anos sem reajuste.

Em crise financeira, o governo Richa se queixa de pouca receita e tenta fazer frente ao aumento de despesas, especialmente no funcionalismo, que quase atingiu o limite máximo previsto em lei.

O governo argumenta que deu reajustes e contratou policiais e professores. Neste final de ano, parcelou as férias dos servidores e suspendeu novas obras.

O empresariado reclama que a medida irá impactar a indústria, a economia local e aumentar a inflação, e pediu a revisão da proposta.

“Não adiantou. O governador está irredutível”, disse o presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná), Edson Campagnolo, para quem “toda a sociedade vai perder”. “É uma incompetência de gestão. Incharam a máquina.”

Confrontado, Richa estabeleceu que a proposta não iria afetar empresas do regime simples nem os produtos da cesta básica. Mas defendeu o pacote.

“É um freio de arrumação”, disse ele, em entrevista à CBN Curitiba. “Evidentemente aumenta impostos, mas com muita responsabilidade.”

O pacote foi concebido pela secretaria da Fazenda, que será assumida pelo auditor fiscal Mauro Ricardo. Ex-secretário da Fazenda de José Serra no governo paulista, ele estava à frente das finanças da Prefeitura de Salvador.

Para Ricardo, que admitiu que “o Estado gastou mais do que devia”, o pacote equilibra a arrecadação, que hoje está concentrada em poucos setores. “Estamos adequando a tributação ao restante do país”, afirmou ao jornal “Gazeta do Povo”.

CONFUSÃO

A proposta foi aprovada quase de madrugada, pouco depois das 23h, sob protestos.

Na tribuna da Assembleia, manifestantes pediram a retirada do projeto e vaiaram os deputados que o defenderam, gritando “vendido” e “vergonha”. A sessão teve que ser interrompida três vezes por causa do barulho.

A oposição também fez grita. Apelidou o projeto de “pacote de maldades” e criticou a rapidez com que foi aprovado –a votação durou apenas uma sessão.

Um trator (em referência à velocidade da votação) com um grande embrulho de presente foi posicionado em frente à sede do governo, com críticas ao “pacotaço de Natal” de Richa.

Além do aumento de impostos, o pacote do governador incluiu mudanças na previdência (servidores aposentados agora terão que contribuir com o regime) e corte de secretarias.

Outros Estados também se queixam da queda de receitas, especialmente no ICMS (um dos principais termômetros da atividade econômica), mas por enquanto os governadores eleitos não cogitam aumento de impostos.

No último ano, a receita com ICMS dos Estados cresceu abaixo da inflação, em 3,7% –ou seja, houve queda real. A receita total, por sua vez, subiu 8%.

Link da matéria na Folha

Foto: Henry Milleo/Agência de Notícias Gazeta do Povo

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