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  • Requião

Discurso na Bolsa de Valores de Nova York. Homenagem à Copel. Outubro de 2007.

É com muito orgulho e muita emoção que participo deste ato que comemora o décimo aniversário da listagem da Copel nos pregões da Bolsa de Nova York. Orgulho por ver uma empresa paranaense -uma empresa brasileira- ser homenageada pelo principal centro mundial de negócios. Emoção por ver aqui o resultado das medidas que tomamos para salvar a Copel de grandes dificuldades, de pesados prejuízos.

De fato. Quando assumimos o governo do Estado do Paraná, em janeiro de 2003, a Copel apresentava em seu balanço um prejuízo recorde de 320 milhões de reais. Em outubro daquele ano, a cotação de suas ações chegava ao índice mais baixo de sua história, um dólar e oitenta e quatro centavos. As projeções que os especialistas faziam eram funestas. Para o povo de meu estado e para os investidores, especialmente para os investidores deste país, as notícias não eram nada boas.

A recuperação da empresa começou com a revisão e renegociação de contratos de compra de energia absolutamente lesivos para a saúde da empresa e para os aplicadores Afrontamos o dogma do “pacta sunt servanda”, o preceito segundo o qual os contratos devem ser cumpridos, por mais absurdas e danosas que sejam as cláusulas estabelecidas.

Sentamos à mesa com cada um de nossos parceiros e em um processo às vezes duro, conflituoso reajustamos todos os compromissos. Fizemos ver que uma Copel enfraquecida, no vermelho não interessava a ninguém.

Ao mesmo tempo, reunificamos e reconstruímos a administração da empresa. Restauramos o amor-próprio de seus funcionários, o orgulho de fazer parte da Copel.

Os resultados dessa nova política vieram rapidamente. Já no final do primeiro ano de nosso Governo, a Copel apresentava um lucro de 171 milhões de reais. A recuperação da empresa foi imediatamente reconhecida pelos investidores e analistas. E a Copel voltou a brilhar na constelação das empresas de energia mais admiradas no Brasil e no mercado internacional.

Assim, de 2003 para cá, semestre por semestre, ano por ano, avolumaram-se os lucros da Copel. Em 2006, fechamos o ano com um lucro líquido de l bilhão e 200 milhões de reais. E, nos primeiros três meses deste ano, a Copel lucrou 283 milhões de reais, o que nos dá a certeza de fechar o ano com outro resultado recorde.

As ações da Copel, aqui na Bolsa de Nova York, foram cotadas, semana passada, a l9 dólares e 6 centavos, contra a cotação de l dólar e 84 centavos, no final do desastroso ano de 2002. De pouco mais de dois milhões de dólares de pápeis negociados a cada pregão no início de 2003, negociam-se hoje nesta Bolsa, diariamente, perto de seis milhões de dólares de papéis da Copel.

É o reconhecimento dos investidores à magnífica saúde hoje exibida pela empresa. O mercado atesta que o trabalho de recuperação da empresa, iniciado há quatro anos e meio, é sério, firme e consistente. Ninguém precisa ensinar aos investidores internacionais como e onde aplicar o seu dinheiro. Como se diz no Brasil: não é preciso ensinar o Padre Nosso ao vigário. Se o mercado investe e valoriza as ações da Copel, é sinal de que estamos no caminho certo.

Ao mesmo tempo que temos uma Copel e seus papéis recuperados para os bons negócios do mercado, temos um dos mais valiosos patrimônios dos paranaenses, do meu povo, preservado e fortificado. E temos, novamente, um vigoroso, possante e eficaz agente indutor do desenvolvimento econômico e social do Paraná.

Uma das vantagens relativas que o Paraná tem em relação a outros estados brasileiros é a produção da energia elétrica, abundante e a preços competitivos. Somos um estado agro-industrial. Somos o principal produtor de grãos do Brasil, o primeiro produtor de soja, de milho. Mas somos, ao mesmo tempo, um estado com uma indústria desenvolvida, moderna, dinâmica. Para um e outro setor temos, em fartura, a energia que é demandada.

E continuamos a investir. Recentemente, inauguramos duas novas hidrelétricas. E agora vamos construir mais uma grande usina, a Hidrelétrica de Mauá, um investimento de 950 milhões de reais, com 5l por cento de participação da Copel.

Lucro para os investidores, energia para o desenvolvimento e luz para os mais pobres. Talvez seja incompreensível para quem viva em Nova York, nesta portentosa e magnífica metrópole, que o benefício da energia elétrica seja ainda sonegado a milhões de brasileiros, especialmente àqueles mais pobres, sem condições de pagar a conta de luz. Para socorrer os nossos irmãos excluídos desse benefício básico da civilização, instituímos o programa “Luz Fraterna”, levando a energia elétrica a todos os paranaenses.

Ao mesmo tempo, buscamos praticar uma política de tarifas adequada à realidade dos consumidores residenciais e empresariais. Uma política tarifária equilibrada, justa, que dê retorno à Copel, que a faça uma empresa lucrativa, mas que não onere os consumidores.

Assim é a nossa Copel. Responsável com os seus acionistas, responsável com o desenvolvimento brasileiro, responsável com os nossos irmãos mais pobres.

Atuando na geração, transmissão e distribuição de energia e em telecomunicações a Copel é hoje reconhecida como a melhor empresa da região sul brasileira – a região mais desenvolvida do Brasil- pela qualidade de seus serviços.

As l8 usinas da Copel e sua particiapção na geração de outras unidades, representam 5 mil e l50 megawats de potência instalada, o que corresponde o significativo número de seis por cento da energia produzida no Brasil. São mais de sete mil quilômetros de linhas de transmissão e l70 mil quilômetros de linhas de distribuição. A rede de telecomunicações da empresa expande-se e hoje já tem mais de cinco mil quilômetros, atendendo centenas de cidades.

Dez anos de Bolsa de Nova York, a mais tradicional e influente das bolsas de valores do mundo. Dez anos de ações negociadas em todos os pregões. Alguns momentos difíceis, decepcionantes para os investidores. Alguns momentos de tensão, enquanto renegociávamos os contratos lesivos. Dez anos que se completam hoje com alegria, com segurança, com a certeza de uma Copel novamente revigorada, sólida, lucrativa.

Viemos a Bolsa de Nova York para fazer história. Fomos a sexta empresa brasileira a ter as suas ações aqui negociadas. A primeira do setor energético brasileiro e a que estreou com a maior emissão primária de ações preferenciais até então feita por uma empresa latino-americana nesta casa. Desbravamos um caminho. Viemos para ficar. Os investidores estejam s empre certos do nosso compromisso de fazer da Copel uma empresa cada vez mais forte, arrojada, inovadora.

Esta é a segunda vez que venho, como governador do Paraná, a Bolsa de Nova York. A primeira vez foi no dia 22 de novembro de 2004, quando participamos dos trabalhos de abertura dos pregões, o “Opening Bell’.

Hoje, vamos acionar o sino que encerra as negociações da sala de pregões, o “Closing Bell”. Em 2004, abrimos o pregão anunciando uma Copel recuperada, salva das dificuldades. Hoje, encerramos os trabalhos comemorando um a Copel fortemente lucrativa, socialmente responsável.

É com muito orgulho e com muita satisfação que participo deste ato. E espero que mais vezes outros diretores da Copel e outros governadores do Paraná aqui venham, sejam convidados a abrir ou fechar os pregões, porque isso será sinal de que a Copel continuará sendo a grande empresa que é hoje. Uma grande empresa para os milhares de acionistas americanos, para os brasileiros do meu Estado e para os nossos irmãos mais pobres.

Muito obrigado.

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