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Discurso de Requião sobre moralidade seletiva de nossa velha e incorrigível mídia

O ministro Antônio Palocci disse ontem, para justificar sua repentina fortuna, que não foi o único ex-ministro a enriquecer. Citou uma quantidade de ex-ministros da Fazenda e ex-diretores do Banco Central que se transformaram em banqueiros e consultores financeiros de muito sucesso. Pois é exatamente aí que está o problema! O que para ele é normal, porque todo mundo faz, é a grande complicação, o grande embaraço, o inevitável conflito moral e ético. Está errado terem feito, está errado repetir o feito. Essa gente toda que o Palocci citou ocupou cargos estratégicos na condução das finanças nacionais. E tinha informações a cerca de tudo e sobre todos. Sobre taxas de juros, sobre o câmbio, sobre a saúde financeira das empresas. De repente, gente com tantas informações vai trabalhar do outro lado do balcão. E leva para o outro lado do balcão tudo o que ficou sabendo deste lado do balcão. Pergunto: é certo isso? É certo ganhar dinheiro com informações privilegiadas? Independente disso, o Palocci tem que prestar contas. A presidenta Dilma e o vice Temer dizem que têm confiança ilimitada no Palocci. Para que nós e o Brasil todo também tenhamos confiança sem limites nele, precisamos que ele responda a algumas perguntas. 1. Para quem o Palocci prestou assessoria? Nome de todo mundo. 2. Que tipo de serviço envolveu essa assessoria? Eram relativos ao governo? 3. Quanto ganhou pelo serviço? 4. Quando, mês e ano, prestou a assessoria? São algumas perguntas que não querem calar. O escritor, jornalista e cronista Sérgio Porto, conhecido também como Stanislaw Ponte Preta, diante de desmandos e corrupção, cunhou uma frase imortal: “Ou se restaura a moralidade ou locupletamo-nos todos nós”. Por fim, uma observação. Essa imprensa tão rápida em investigar e denunciar o Palocci, foi de extrema condescendência com ex-ministros e ex-diretores do Banco Central, como Pérsio Arida, André Lara Rezende, o inefável Mailson da Nóbrega, Pedro Malan, Gustavo Franco, Gustavo Loyola, os irmãos e filhos Mendonça de Barros, Pedro Parente. Eles também transitaram com desenvoltura, com lepidez ofídica dois lados do balcão. Mas como não eram do PT e nem ministros ou ex-ministros da Dilma ou do Lula, foram saudados como gênios das finanças, empreendedores extraordinários. Eu fico cada vez mais encantado com a moralidade seletiva de nossa velha e incorrigível mídia

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