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  • Requião

Carta do Sul

              Um sentimento amargo de desilusão política, de incerteza econômica e de profunda revolta diante da corrupção perturba o coração dos brasileiros e assombra a consciência nacional.

               O absoluto descontrole da racionalidade econômica, que privilegia o capital financeiro -que restaurou a inflação, corroeu salários e rendas, inviabilizou os investimentos produtivos e destruiu empregos- impede a retomada do crescimento e impede um projeto histórico e democrático de desenvolvimento nacional.

               A corrupção, desvelada em níveis e comprometimentos institucionais jamais vistos, tem consumido energias e esperanças, além de esgotar as reservas morais da nação, com a crescente hegemonia de uma cultura cínica e a deterioração das   regras de convívio social.

               Com os sinais de crise batendo na porta, depois de cinquenta anos de crescimento rápido, completamos duas décadas perdidas, seguida de uma incipiente terceira contemplativa e, talvez, caminhemos a passos largos para uma quarta e depressiva etapa, quando constatamos que as tímidas tentativas de construir um Estado Nacional de Bem-Estar Social foram interrompidas, quando não revogadas.

              Deixamos de estar entre as maiores economias do mundo para cair e estacionar no limite inferior do G 20, em paralelo com a degradação do sistema federativo que reduziu o avanço constituinte instituidor dos três entes federados -União, Estado e Município- para um penoso simulacro, definidor de um Estado Unitário na carência e iníquo na concentração, que exclui Estados e Municípios de participação significativa na receita tributária global.

           O endividamento público atingiu nível lamentavelmente histórico, próximo aos três trilhões de reais, quase dois terços do Produto Interno Bruto, a ponto de sugerir um amargo saudosismo dos tempos da dívida, bem mais modesta, com o FMI, rolada a juros menos onerosos.

            Mas é na completação desse quadro, já por si deplorável, que se encontra o seu aspecto mais contristador, que é o de, embora atingindo toda a população, incidir com especial severidade sobre os mais vulneráveis socialmente, pela queda brutal dos níveis de emprego e redução dos índices de remuneração do trabalho, replicando o castigo justamente sobre os setores que mais sofrem os feitos do incremento do processo inflacionário.

           Estão presentes no atual cenário nacional todos os elementos de uma crise política e econômica e só a nossa ação pode travar o andamento para uma profunda crise social, com inevitáveis reflexos institucionais.

           O PMDB se insere nesse quadro. Maior partido do país, com relevante e invariável papel estabilizador na preservação das instituições democráticas, ainda assim não tem sido partícipe na definição das políticas públicas destinadas à fixação dos rumos da economia e da administração, reduzida, no último quartel do século, a uma dicotomia artificial e autossustentada pelo interesse partidário de seus protagonistas.

         É um momento de crise, e por isso mesmo, é hora do PMDB. Coveiro da ditadura e parteiro da redemocratização, é a voz indispensável na busca de um novo caminho. Nesta grave conjuntura, a militância dos estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul lança um grito de alerta ao Partido e ao povo brasileiro. Com novas esperanças e acreditando na mudança, propomos:

       Discutir e votar, na próxima Convenção, um Projeto Nacional para:

A)  Na sua vertente interna, definir um planejamento de longo prazo com metas a serem alcançadas nas áreas econômica (emprego, produção por setor industrial e agropecuário, energia, logística, infraestrutura e comunicações); financeira (inflação e crédito) e social (educação, saúde, segurança e saneamento).

B)  Na sua vertente externa, observando a geopolítica e a conjuntura, promover ima inserção soberana do Brasil no mundo e proporcionar os meios para a defesa desta promoção, seja na otimização dos resultados nas relações comerciais, seja na reafirmação de nosso invariável compromisso democrático.

C) Avaliar o relacionamento do PMDB com o Governo Federal.


        Com essa bandeira nas mãos e a esperança no coração, vamos manter nas eleições deste ano a condição de maior partido do País e acreditamos retomar, em 2018, com candidatura própia, o papel de protagonista na definição dos rumos do Brasil


                   Porto Alegre, 5 de março de 2016


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