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A fragilidade do Governo Ratinho Jr na gestão financeira - incompetência ou má fé?

Empréstimo no Banco do Brasil não teria necessidade, se a lição de casa tivesse sido feita pelo Governo, avalia Requião.


Recentemente foi divulgada uma alta captação de recursos pelo Governo do Paraná junto ao Banco do Brasil, para uma operação de crédito no valor de R$ 1,4 bilhões, buscando soluções paliativas para controlar endividamento do Estado. Segundo o Executivo, a mudança de perfil traria uma economia na ordem de R$ 80 milhões aos cofres públicos, em valores projetados, para a quitação de dívidas com a Copel pela rubrica do CRC - Contas de Resultados a Compensar.


No entanto, na avaliação do ex-Governador Roberto Requião, não haveria necessidade de jogar para frente e adiar uma dívida que já deveria estar quitada.


“Assumir uma dívida de longo prazo, mais precisamente 15 anos e 1 ano de carência para este pagamento, no mínimo causa estranheza, pois numa visão pontual nem precisaria tomar este empréstimo. Mas já que não fez a lição de casa e não conseguiu administrar essa dívida, ainda assim, teríamos vários caminhos para realizar a liquidação do endividamento sem tomar financiamento”, aponta.

Requião sugere que a negociação com a Copel poderia ter sido melhor elaborada, com um plano de amortização direto com a estatal, a partir de recursos recebidos pela remuneração do capital como acionista.


“São juros sobre Capitais e Dividendos, que não são baixos. Só aí, nos dois primeiros anos, o Estado seria remunerado como acionista em cerca de 985 milhões, próximo de 1 bilhão de reais”, sugere.

Recentemente, foi aprovada uma alteração no estatuto da Copel que eleva a remuneração dos acionistas, com efeito progressivo na alavancagem, podendo chegar a 65% do lucro líquido.


“Foi o que aconteceu com relação ao lucro líquido de 2020. O conselho de administração aprovou, em reunião, uma nova política de distribuição de dividendos aos acionistas. Só aí já daria tranquilamente para o Estado quitar essa dívida”.

No entanto, economistas afirmam que o tamanho dos pagamentos dependerá da proporção da dívida líquida em relação ao EBTIDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) – e quanto maior a proporção, menor o valor desembolsado.


Em matéria publicada no site da Copel, foi deliberado pela “Assembleia Geral Ordinária” sobre o lucro líquido a distribuição de R$ 2,5 bilhões a título de dividendos e juros do capital próprio em proventos brutos aos acionistas, equivalente a um “payout” de 65% do lucro líquido ajustado em 2020. Esse índice mostra qual é a porcentagem do lucro líquido que uma empresa distribuirá para seus acionistas, na forma de dividendos ou de juros sobre capital próprio.


No entanto, o financiamento assumido pelo Estado agora leva o Paraná a assumir um endividamento para os próximos quatro governos, deixando futuros gestores da administração pública de mão atadas no plano de investimentos.

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